Carga Viral

Folheto 11 – Junho de 2002

A carga viral é o termo usado para descrever a quantidade de VIH presente no sangue. Quando maior for a quantidade de VIH no seu sangue, mais depressa perderá células CD4, células que combatem a infecção (ver Folheto n.º 3 – Contagem de CD4) e maior será o risco de poder ter sintomas nos próximos anos.

O resultado da Carga Viral é expresso em número de “cópias” de ARN VIH por ml (cópias/ml). 10.000 cópias/ml ou menos é um valor que se considera baixo e 50.000 cópias/ml ou mais é elevado.

Há vários tipos de testes para determinar a carga viral, cada um deles usando uma técnica diferente para medir o número de partículas de VIH no sangue.

Todos os testes são fieis para determinar uma carga viral alta, média ou baixa.

Contudo, cada teste tem um limite abaixo do qual não consegue detectar o VIH.

Para a maioria dos testes o limite é de 50 cópias/ml. Qualquer amostra de sangue com níveis de VIH abaixo daquele valor diz-se que está “indetectável”. Isto não quer dizer que não haja VIH na amostra de sangue, mas sim que o número de cópias estará entre 0 e 49 cópias/ml.

As vacinações e as infecções podem causar aumentos temporários na carga viral e é melhor evitar de fazer um teste antes de um mês depois de ter estado doente ou ter sido vacinado.

Todos os testes para carga viral estão preparados para medir os tipos de vírus mais frequentes em África e na Ásia.

Carga viral em doentes que não estão a fazer antiretrovirais

Se não estiver a fazer antiretrovirais a sua carga viral deve ser monitorizada nas suas consultas de rotina porque podem orientar o curso evolutivo da infecção e saber se continua ou não a tratar-se. Entre pessoas com os mesmos CD4 as que tiverem carga viral mais elevada tendem a ter uma maior progressão da doença do que os que têm cargas virais mais baixas.

As alterações na carga viral ao longo do tempo, entre outras indicações, particularmente a contagem de CD4 e a presença de sintomas relacionados com o VIH, podem ajudar a decidir se se começa ou não com terapêutica antiretroviral.

Monitorização do tratamento

Um tratamento eficaz antiretroviral resulta numa redução da carga viral. Se estiver a iniciar um tratamento ou a fazer alguma alteração o seu médico deve pedir-lhe uma carga viral para determinar um valor basal antes de começar ou alterar os medicamentos seguidos por testes posteriores quatro a seis semanas depois para verificar quanto é que a sua carga viral baixou.

Nalgumas pessoas o tratamento antiretroviral pode reduzir a quantidade de VIH no sangue para valores “indetectáveis”. Os médicos dizem que a redução da carga viral para valores indetectáveis é o objectivo dos tratamentos. É desejável que tenha cargas virais indetectáveis dado que assim é muito menos provável que o seu VIH desenvolva resistências aos medicamentos usados para se tratar e assim reduzir muito o risco de que o VIH lhe provoque doenças.

O tempo necessário para conseguir uma carga viral indetectável pode variar e após seis meses de iniciar o seu esquema de tratamento a sua carga viral deverá cair abaixo das 50 cópias/ml.

Picos de carga viral

As pessoas com carga viral indetectável podem ter pequenos aumentos de carga viral de tempos a tempos. São chamados picos e tipicamente a carga viral passa de indetectável a 100 a 200 cópias/ml voltando posteriormente a ficar indetectáveis. Isto não quer dizer de o tratamento esteja a falhar. Contudo se o aumento da carga viral se mantém pelas quinhentas cópias e assim permanece isso pode indicar que o seu tratamento está a falhar e deve ser discutida com o seu médico a necessidade de alterar ou intensificar o seu tratamento.

Testes de resistência

Se a sua carga viral ultrapassa as 1.000 cópias/ml devem ser equacionados testes de resistência para avaliar a qual ou a quais dos medicamentos há resistências. O VIH que se tornou resistente a um medicamento pode ser resistente a outros medicamentos que não tomou e chama-se a isso resistência cruzada. Um teste de resistência deve indicar também quais os medicamentos que são eficazes no seu caso.

Tendo em vista salvaguardar futuras opções, alguns médicos argumentam que o objectivo do tratamento deve sempre a manutenção de carga viral indetectável. Contudo outros médicos dizem que para algumas pessoas, particularmente as que estão a fazer a sua segunda ou mais opções terapêuticas isto pode não ser possível o que significará que há pessoas que trocam a medicação de acordo as disponibilidades até que eventualmente fica sem opções terapêuticas.

Carga viral e transmissão do VIH

Os testes de rotina da carga viral só medem a quantidade de VIH no sangue e não nas células do corpo, no cérebro ou fluídos genitais. Os efeitos dos medicamentos antiretrovirais nestes lugares pode variar pelo que pessoas com carga viral indetectável podem ser contagiantes para outras pessoas.

Original em www.aidsmap.com
01 August 2003