Terça-feira, 09 de Fevereiro de 2010
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Terça-feira, 20 de Abril de 2004
   

A Transmissão do VIH

 



As investigações mostraram muita informação inexistente na área médica, científica e de saúde pública acerca do vírus da imunodeficiência humana (VIH) e o síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA). Identificaram-se claramente as formas como se pode transmitir o VIH: infelizmente continuam a difundir-se informações falsas ou afirmações que carecem de fundamento científico. Por isso, o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) elaboraram uma folha informativa para corrigir algumas ideias erradas àcerca do VIH.


Como se transmite o VIH?

O VIH transmite-se fundamentalmente através do contacto sexual com uma pessoa infectada, na partilha de agulhas ou seringas (fundamentalmente para injecção de drogas) com uma pessoa infectada, ou, com menor frequência, (e agora raramente nos países onde se examina o sangue em busca de anticorpos anti-VIH), através de transfusões de sangue contaminada ou factores de coagulação contaminados. As crianças filhas de mães portadoras de VIH podem infectar-se antes ou durante o nascimento ou ao ser alimentados com leite materno depois do mesmo.

No ambiente hospitalar ocorreram casos de trabalhadores infectados com o VIH quando se picaram com agulhas infectadas com sangue com VIH ou, com menor frequência, depois de que o sangue infectado entre em contacto com uma ferida aberta ou com ou com uma membrana mucosa (por exemplo os olhos ou o interior do nariz). Só há um caso de doentes infectados por um trabalhador de saúde a saber um funcionário do sector sanitário dos EUA, dentista, que transmitiu o VIH a seis doentes. Realizaram-se investigações em mais de 22.000 doentes de 63 médicos, dentistas e cirurgiões com VIH e não se detectaram outros casos deste tipo de transmissão nos Estados Unidos.

Algumas pessoas temem que se possa transmitir o VIH de outros modos, sem que haja evidência científica que apoie estes temores. Se o VIH se transmiti-se por outras vias (como através do ar, água ou insectos) os padrões de casos de SIDA relatados seriam muito diferentes ao que se observou. Por exemplo, se os mosquitos transmitissem o VIH, ter-se-ia diagnosticado a SIDA em muitas mais crianças e pre-adolescentes.

Todos los casos relatados que sugerem novas vias ou potencialmente desconhecidas são investigadas cuidadosamente pelos departamentos locais e estatais de saúde com a orientação, colaboração e apoio do laboratório do CDC. Não se detectaram novas vias de transmissão apesar de existir um sistema nacional de vigilância desenhado para  detectar este tipo de fenómeno.

Nos parágrafos seguintes tratam-se de maneira específica as crenças infundadas mais frequentes acerca da transmissão do VIH.

O VIH no meio ambiente

As autoridades médicas e científicas concordam que VIH não sobrevive com facilidade no meio ambiente, o que faz com que a possibilidade de transmissão no mesmo seja remota.  O VIH encontra-se em concentrações ou quantidades distintas no sangue, no sémen, no fluido vagina, leite materno e lágrimas. (Veja página 4, saliva, lágrimas e suor). Para obter dados sobre a sobrevivência do VIH nos estudos de laboratório utilizaram-se concentrações artificialmente elevadas de vírus cultivados em laboratório. Ainda que seja possível manter vivas essas culturas não naturais de VIH durante dias ou inclusive semanas em condições de laboratório precisamente controladas e limitadas, os estudos do CDC mostraram que logo após várias horas, inclusive tão elevadas concentrações secam e que a quantidade de vírus com capacidade infecciosa reduz-se entre 90% a 99%. Devido a que as concentrações de VIH utilizadas em estudos de laboratório são muito mais elevadas que as encontradas em circunstancias reais no sangue e noutras amostras, o sangue humano ao secar ou outros fluidos infectados com VIH, o risco teórico de transmissão ambiental reduz-se a zero. A interpretação incorrecta de algumas conclusões derivadas de estudos de laboratório alarmaram desnecessariamente algumas pessoas.

Não devem usar-se os resultados de estudos de laboratórios para avaliar o risco pessoal específico de infecção porque (1) a quantidade de vírus estudada não se encontra em amostras humanas nem na natureza e (2) não de identificou nenhum caso de infecção pelo VIH por contacto com uma superfície ambiental. Além disso o VIH não pode reproduzir-se fora de um hospedeiro vivo (diferentemente de muitas bactérias e fungos que podem fazê-lo em condições apropriadas), a menos que encontrem em condições de laboratório, logo, não se propaga nem mantém o seu poder infeccioso fora do seu hóspede.

Em casa

Ainda que o VIH se tenha transmitido entre membros de uma mesma família numa casa, esse tipo de transmissão é muito rara. Pensa-se que essa transmissão tenha resultado do contacto da pele com as membranas mucosas ou da pele com sangue infectado. Para prevenir inclusive estes casos pouco frequentes devem tomar-se em qualquer lugar – incluindo a residência – precauções como as descritas nas orientações para evitar a exposição ao sangue de pessoas infectadas com o VIH, em situação de risco de contrair a infecção pelo VIH ou as que tenham uma categoria de risco ou de infecção desconhecido. Por exemplo:

  • Devem utilizar-se luvas no contacto com o sangue ou outros fluídos corporais que possam conter sangue visível, tais como urina, fezes ou vómito.
  • Os cortes, úlceras ou gretas tanto na pele da pessoas que cuida do doente como do próprio doente devem estar cobertos com compressas.
  • Deve lavar-se as mãos e outras partes do corpo imediatamente depois de ter tido contacto com o sangue ou outros fluídos corporais e as superfícies salpicadas de sangue devem ser desinfectadas adequadamente.
  • Devem evitar-se práticas que aumentam a probabilidade de ter contacto com o sangue, tal como partilhar lâminas de barbear ou escovas de dentes.
  • As seringas e outros instrumentos cortantes devem ser utilizados unicamente quando necessário por uma razão médica e devem ser manuseados de acordo com as recomendações formuladas para ambientes hospitalares. (Não volte a colocar as tampas das seringas ou retire as agulhas das seringas. Deite as agulhas em recipientes à prova de choque e fora do alcance de crianças e visitantes).

Empresas e outros lugares

Não existe um risco conhecido de transmissão para os trabalhadores, clientes ou consumidores devido ao contacto em indústrias tais como estabelecimentos de alimentos (veja a informação sobre a sobrevivência do VIH no meio ambiente). Não é necessário afastar os trabalhadores da indústria alimentar infectados pelo VIH do seu local de trabalho a menos que tenham outras infecções ou doenças, (tais como diarreia ou hepatite A). Nestes casos deve afastar-se do seu trabalho qualquer trabalhador da indústria alimentar, independentemente de estar ou não infectado pelo VIH. O CDC recomenda que todos os trabalhadores da indústria de alimentos sigam as regras recomendadas assim como as práticas de higiene corporal e sanidade no manuseamento de alimentos. Em 1985, o CDC emitiu precauções de rotina que todos os trabalhadores que prestam serviços pessoais (tais como cabeleireiros, barbeiros, esteticistas e massagistas) devem seguir, inclusive quando existe evidência de transmissão de um trabalhador deste sector a um cliente ou vice-versa. Os instrumentos que penetram na pele (tal como agulhas de acupunctura ou agulhas de tatuagens, dispositivos para perfurar orelhas) devem ser usados uma só vez e deitados fora ou ser limpos e esterilizados rigorosamente. Os instrumentos que normalmente não penetram na pele mas que podem contaminar-se com sangue (por exemplo, navalhas de barbear) devem ser utilizados unicamente por um cliente e ser logo deitados fora ou ser limpos e desinfectados cuidadosamente depois de cada uso. Os trabalhadores que prestam serviços pessoais devem utilizar o mesmo procedimento de limpeza que o recomendado para as instituições sanitárias.

O CDC não teve conhecimento de nenhum caso de transmissão de VIH através de tatuagens ou de perfuração de alguma parte do corpo ainda que se tenha transmitido o vírus da hepatite B através de algumas dessas práticas. Está documentado um caso de transmissão de VIH por acupunctura. A perfuração de partes do corpo (além das orelhas) é algo frequente e as complicações médicas destas práticas parecem maiores que no caso das tatuagens. Geralmente são precisas várias semanas ou até meses para que sarem as zonas perfuradas e o tecido pode lesionar-se novamente (rasgar-se ou cortar-se) ou inflamar-se inclusive depois de ter sarado. Por isso existe um risco teórico de transmissão do VIH se o tecido por sarar ou o tecido lesionado entra em contacto com o sangue de uma pessoa infectada ou com outro fluido corporal com capacidade de transmitir a infecção. Além disso o VIH pode ter sido transmitido pelos instrumentos contaminados com sangue não esterilizados ou desinfectados antes de ser usados noutro cliente.

Beijos

O contacto casual com beijos com a boca fechada, o chamado “beijo social” não representa um risco de transmissão do VIH. Devido à possibilidade de que se entre em contacto com o sangue ao beijar com a boca aberta, o chamado “beijo francês”, o CDC recomenda que não se realize esta actividade com pessoas infectadas. Sem dúvida, considera-se que o risco de contrair o VIH ao beijar deste modo é muito baixo. O CDC investigou unicamente um caso de infecção pelo VIH que poderia ser atribuído ao contacto com sangue durante um beijo com a boca aberta.

Mordeduras

Em 1997, o CDC publicou os resultados de uma investigação realizada por um departamento estatal de saúde de um incidente que sugeria a transmissão de VIH por contacto de sangue com sangue por mordedura humana. Houve outras notícias na literatura médica de casos nos quais o VIH parece ter sido transmitido por mordedura. Em cada um destes incidentes soube-se que houve traumatismos graves com rasgaduras e lesões extensas de tecidos assim como com a presença de sangue. A mordedura não constitui um mecanismo frequente de transmissão do VIH. De facto existem numerosos relatos de mordeduras que não causaram infecção pelo VIH.

Saliva, lágrimas e suor

Encontrou-se o VIH em quantidades muito baixas na saliva e nas lágrimas de alguns doentes com SIDA. É importante que fique claro que o facto de encontrar uma pequena quantidade de VIH num fluído corporal não significa necessariamente que o VIH possa ser transmitido pelo dito fluído corporal. Não se detectou o VIH no suor de pessoas infectadas. Nunca se demonstrou que a saliva, as lágrimas ou o suor possam causar a transmissão do VIH.

Insectos

Desde o início da epidemia de VIH, houve a preocupação em relação à transmissão do vírus através dos insectos que picam e se alimentam de sangue. Sem dúvida os estudos realizados pelos investigadores do CDC e outras instituições não encontraram evidência da transmissão do VIH através de insectos – inclusive nas regiões onde havia muitos casos de SIDA e existem grandes populações de insectos tal como mosquitos. A ausência de situações a pesar dos intensos esforços para os detectar apoia a conclusão de que os insectos não transmitem o VIH.

Os resultados das experiências e observações dos insectos em relação à picada indicam que quando um insecto pica uma pessoa, não injecta o seu próprio sangue nem o sangue de um animal ou pessoas picada previamente a pessoa que é picada em seguida. O que injecta é só saliva a qual actua como lubrificante ou anticoagulante de forma a que o insecto se possa alimentar mais eficientemente. Doenças como a febre amarela e a malária transmitem-se através da saliva e algumas espécies de mosquitos. Sem dúvida que o VIH vive só durante um período curto dentro de um insecto, e a diferença dos organismos transmitidos através das picadas de insectos, o VIH não se reproduz (e não sobrevive) em insectos. Por isso, inclusive se o vírus entra num mosquito ou noutro insecto que pica ou suga o sangue o insecto não contrai a infecção e não pode transmitir o VIH ao ser humano seguinte que pica ou que dele se alimenta. O VIH não se encontra nos excrementos dos insectos.

Não existe razão para temer que um insecto que pica ou suga sangre, tal como um mosquito, possa transmitir o VIH de uma pessoa a outra através do sangue infectado com o VIH que fica no seu aparelho bocal. Existem dois factores para explicar a que se deve isto – primeiro as pessoas infectadas não têm níveis constantes e elevados de VIH na sua corrente sanguínea e, segundo, o aparelho bocal dos insectos não conserva grandes quantidades de sangue na sua superfície. Além disso os cientistas que estudam os insectos determinaram que os insectos que picam normalmente não vão de uma pessoa para outra imediatamente a seguir á ingestão de sangue. Antes pelo contrário vão para um local sossegado para digerir o sangue ingerido.

Eficácia do preservativo

Os preservativos estão classificados como dispositivos médicos nos EUA. Os fabricantes de preservativos nos Estados Unidos submetem cada preservativo de látex a provas antes de serem embalados para que esteja assegurado que não tem defeitos tais como orifícios. O uso constante e cuidadoso dos preservativos de látex ou poliuretano (um tipo de plástico) quando se realiza o acto sexual - por via vaginal, anal ou oral- pode reduzir muitíssimo o risco de contrair ou transmitir doenças de transmissão sexual, incluindo o VIH.

Existem muitos tipos e marcas distintas de preservativos no mercado – sem duvida, só os preservativos de látex ou poliuretano proporcionam uma barreira mecânica altamente efectiva contra o VIH. Nos laboratórios mostrou-se que os vírus ocasionalmente podem atravessar os preservativos de membranas naturais (pele ou pele de cordeiro), os quais podem conter poros naturais e por isso não são recomendados para prevenir doenças (mas documentou-se a sua eficácia como contraceptivo). As mulheres podem ainda considerar a possibilidade de usar o preservativo feminino quando não seja possível o uso do masculino.

Para que os preservativos proporcionem o máximo de protecção, devem ser usados sempre (em cada acto sexual) e correctamente. Alguns estudos sobre o uso correcto e constante dos preservativos mostram claramente que a taxa de ruptura dos preservativos de látex e inferior a 2% nos EUA. Inclusive, quando os preservativos se rompem, um estudo mostrou que mais de metade das rupturas ocorria antes da ejaculação.

Quando se utilizam preservativos correctamente demonstrou-se que são eficazes para evitar as gravidezes em 98% dos casos. Do mesmo modo, estudos realizados entre pessoas sexualmente activas demonstraram que o preservativo de látex se utilizado correctamente proporciona um elevado grau de protecção contra uma grande variedade de doenças de transmissão sexual, incluindo o VIH.

Para información mais detalhada acerca de preservativos, visite:

Última Revisão: 24 de Dezembro de 2002
CDC
http://www.cdc.gov

 

 

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