O Governo Brasileiro anunciou que negociou 75% de desconto no preço máximo em dólares do novo inibidor das proteases atazanavir (Reyataz). O Brasil deverá pagar $3,25 por cápsula de fármaco, comparado com o preço nos EUA de $13,80 por cápsula. Isto representa um custo diário de $6,50 ($2.372,50 por ano).
O Brasil representa um imenso mercado potencial para o atazanavir, uma vez que o desconto torna o fármaco mais barato do que os outros inibidores das proteases. O Atazanavir também tem vantagens pelo facto de poder ser tomado dois comprimidos uma vez por dia.
Uma acção negativa do atazanavir é a sua interacção com o medicamento usado para a tuberculose rifampicina. Os níveis de Atazanavir reduzem-se em cerca de 90% quando administrado ao mesmo tempo que a rifampicina, tornando este Inibidor da Protease inapropriado para o uso até que a tuberculose tenha sido controlada nos dois primeiros meses de um regime que contenha rifampicina.
Contudo o atazanavir é um fármaco atractivo para ser usado em certas circunstâncias limite. É estável ao calor e não requer refrigeração, ao contrário dos inibidores das proteases associados ao ritonavir. É tomado uma vez por dia, com a refeição e não tem interacções negativas com outros medicamentos antiretrovirais salvo o tenofovir. Parece ser seguro durante a gravidez (ao contrário do efavirenze, um dos fármacos correntemente usados na primeira linha de tratamento) e é bem tolerado. Um estudo de fase III às 48 semanas mostrou que menos de 6% dos doentes descontinuaram o tratamento devido a efeitos adversos, comparados com 10% no grupo de doentes tratados com efavirenze.
Até agora, o maior obstáculo ao uso do atazanavir é o seu preço. Se bem que o preço negociado com o governo brasileiro pode colocar o fármaco disponível, o acordo indica que a Bristol Myers Squibb se prepara para competir em preço com o Kaletra da Abbott’s. No Brasil o Kaletra é fornecido ao preço de $8,80 por dia, mas noutras regiões a Abbott prepara-se para negociar preços mais baixos.
A velocidade à qual o preço de atazanavir cai internacionalmente é ditada em parte pela velocidade da competição. Visto que o atazanavir é mais fácil de sintetizar que outros inibidores das proteases, uma versão do medicamento como genérico deverá aparecer rapidamente. Contudo, a chave de um preço competitivo poderá ser o volume de prescrições do produto. O governo Brasileiro ameaçou várias companhias produtoras de inibidores das proteases com a produção de genéricos se não se alcançasse um acordo. Se tal ocorresse deveriam reduzir os preços para outros consumidores. O preço da Bristol Myers Squibb's precisa de ser visto à luz destes desenvolvimentos, arriscando-se a que o governo brasileiro possa manufacturar eventualmente a sua própria versão de atazanavir.
Keith Alcorn
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